sábado, maio 14, 2005

MENOS CLARO QUE UMA FOLHA BRANCA

Se aquilo que eu te quero dizer pudesse ser dito ou escrito, então é que valeria mesmo a pena estar aqui a escrever, não só porque é a escrever que se gasta a pena, mas também. Todo o esforço que faço para traduzir o pensamento em palavras apenas serve para me afundar mais na tradução movediça. Mais difícil do que dizer o que se quer é dizer que não se consegue dizer o que se quer. Repete-se a eterna luta amigável entre o conforto da ilusão e o medo da desilusão. Isto que estou aqui a escrever é para tu leres, eu só estou aqui escrevendo, tu lês o que quiseres, caso o queiras fazer. Tudo se resume a eu ser diferente de ti, mas este problema e solução explica-se pelo facto de uma harmonia ter vários tons. Lá estou eu outra vez a tentar explicar o que apenas se pode sentir, a origem do defeito é o que não foi feito, por isso vou fazendo isto para logo a seguir o desfazer com outro feito. A minha mentira é sincera e nisso eu assumo a minha total e incompleta irresponsabilidade, afinal é a falar que a gente se desentende, apesar de tu e eu dizermos o mesmo, falamos línguas diferentes. São as diferenças que nos aproximam e as semelhanças que nos afastam, doces ironias amargas do destino que fomos obrigados a escolher. Não sei se fui claro mas é difícil ser mais claro do que uma folha em branco. Percebes?

1 Comments:

Anonymous Gonçalo Almeida said...

Percebi com clareza, que com uma folha branca e clara, não estaria a fazer este feito, de comentar o teu próprio. Gostei muito!

4:38 da manhã  

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